Do encosto do meu lar revejo-te a sorrir em dias de felicidade solta e tão tua.
Os gestos foram consumidos pelos olhos de quem te apreciou todos os dias com interesse místico e de sedução apalpável.
Seduzias-me com o teu querer e ser e tudo custava mas sabia esse custo tinha um sabor bom e único na minha Vida.
Um dia vi-te a tocar uma árvore e senti a tua cumplicidade com ela, pareciam estar em conversa intima e sublimemente sussurravas sons de assobios como que embalando o seu corte de cada ramo...
Não a vi sofrer nunca com o teu rigor de corte e assim como uma relação amorosa ela parecia torcer-se por ti e contigo numa magia a que chamavas...poda. Aquele dia os meus olhos recordam a beleza mesmo que amedrontada por tanta devastação...mas mesmo assim a árvore nunca chorou com o teu toque...nunca!
Agora como em forma de sentimento de falta ela pareceu estar a cada dia que passava cansada de existir, talvez com saudades tuas, das tuas mãos do teu sussurrar e da tua complexidade intima com ela.
E assim como em tom de chamamento toquei-lhe e senti uma força quente no seu interior e uma tristeza externa grande que apagava a sua alma a cada dia.
Não tive coragem de lhe tocar um dia...dois dias...uma semana...sei lá tanto tempo, mas durante todo este tempo foi perto dela que vi surgir a lua todas as noites com diversas formas e imponências, foi-me entrelaçando com ela ao luar e cresceu uma intimidade entre nós...ganhei coragem e usei as minhas mãos com um sentimento interior muito especial que te sussurrei vezes sem conta.
Não foi bonito de ver o que te fiz e apesar de confiança cega em ti e em mim...aqui em casa também não foi fácil aceitar o que te fiz!
Mas tu tinha
s razão e o que senti foi intenso em cada corte que te dei e hoje olhas-me com alegria e de novo vejo o teu sorriso neste luar onde as tuas flores estão brilhantes como antes e a força que parecia presa dentro de ti parece que se está a libertar com grandes formas e audácias de novo.

Ressurge comigo a vontade e o meu grito liberta-se...a lua hoje piscou-me o olho quando tu me acaricias-te com a flor que brilhou no luar.
És linda...És lindo e eu amo-te demais e para sempre. Tou feliz hoje e tu sabes, então sim...hoje sou humano de novo e a tua magia está comigo, eu sinto-te...
Porque o medo miudinho está sempre presente mesmo quando não é necessário alimentá-lo mais...mas aceito-o como parte integrante e funcional em mim.
Frequência de vida:
Ana Free - "In My Place"