Que lugar é este? Não te conheço, não encontro nada parecido com qualquer pormenor visto noutro local vivido.
Onde me queres levar? Onde pretendes mostrar-me a saída?
Estes não são os caminhos que me tinhas prometido, não são estas as realidades que me ofereceste em sonhos tão meus...mas fabricados pela Tua mão!
Desconheço este chão que piso, não entendo as razões nem a Tua indiferença perante tal cenário montada assim como que por mãos feias e vorazes de alma e carinho. Não visualizo as questões sequer para as conseguir tentar colocar...que se passa?
Encontro-me sustentado quase por um fio de ténue resistência...perto de me perder em destroços, onde outrora eram sustentações fortes do meu ser.
Queria sentir as imagens que me ajudaste a fabricar, sentir o sabor e mais...prova-las com o cheiro da presença e as palpitações da vivência delas.
Não pode voltar a acontecer memórias esquecidas naquela caixa selada com o esquecimento.
Tinhas prometido que esta era a chave e o código mais difícil de abrir e nada iria conseguir lá chegar.
Não me faças destruir aos poucos porque não sou mais uma criança que não percebe o que se passa à sua volta e vai doer muito...
Qual a verdadeira razão de uma persistência? Mesmo que simples que ela seja?
Em que ponto acentuas tu a tua força para lutar sem limites? Se a inconstância das tuas certezas te fogem por entre os dedos de uma mão fechada. Estarás tu impossibilitado de cerrar por completo esta mão de qualquer fuga?
Ou sentes-te incapacitado de proteger a tua própria fragilidade!
Talvez não exista fragilidade em algo especial como tu. Mas de novo que algo especial és tu, afinal?
Tantas pegadas que as ondas não conseguem apagar e tu...não percebes o porque de permanecer aqui, assim à espera que elas desapareçam.
Parece que queres ser o mar, para que assim de uma forma mais forte conseguisses apagar todas estas pegadas que de tão profundas não desaparecem.
...e nunca iram desaparecer, já vais percebendo com o passar das ondas.
Perguntas-te repetidamente do porquê continuar aqui, neste canto que parece teres feito ninho e estagnado numa ânsia obsoleta de estar protegido e seguro de tudo.
Mas a verdade é que estás seguro do nada!E apetece-te virar as costas a tudo e partir.
Forte esta palavra não é? Mas é interessante. Assim como que passando por uma palavra vã e sem interesse de dádiva e afrontamento pessoal, ela mostra-te que estás errado. Afinal para ela surgir é porque houve relevância suficiente para a expores ou te ser aferida à tua pessoa.
Quando pensas que o Mundo nada espera de ti, afinal percebes que para ele não esperar nada de ti é porque na verdade conta contigo, mais que não seja para estares calado ou te rebaixar. Mas esta palavra é tão forte que consegue dar-te a coragem para tudo se quiseres, afinal se o Mundo nada espera de ti, vais ter que lhe provar que está errado e então cresces e percebes que afinal...afinal o Mundo só te quer provocar e fazer-te acordar para ele.
Porquê permanecer aqui. Aqui longe de mim, quando estou tão perto como o odor deste meu próprio corpo que deambulo pelas ruas.
Como poderei eu definir o espaço e o tempo? Como serei eu capaz de seguir um rumo sempre certo se...
...a incerteza se encontra comigo também!
Talvez seja este aquele caminho que estava desenhado numa página cheia de rabiscos confusos numa tentativa de estabelecer um projecto...
A verdade é que é assim que me surgiu sempre um projecto final, foi sempre assim que começou qualquer estudo para um traçado de uma via de comunicação, para uma ideologia de estrutura de edifício de habitação...para uma ideologia de realização pessoal.
Sempre comecei alguma ideia numa época de estudante com uma folha de rascunho...onde tudo estava na cabeça e ainda era difícil estabelecer os riscos certos e finais directos...sem erros...sem obstáculos...sem falhas...
...é engraçado, hoje abri a porta fechada à mais de 6 meses, onde guardei tudo o que trouxe de Leiria, desfolhei páginas de livros de cálculos sem fim...que sempre me levaram a estuda-los e a desenvolver ao máximo as minhas capacidades.
Hoje abri esta porta com "um bom dia com muita alegria" expressão que recebi numa mensagem e que um dia alguém me ensinou ( Pe. Rui Barnabé )grande amigo que tenho muitas saudades também.
Enquanto vou desfolhando os livros recordo-me que tinha um ficheiro onde guardei sempre os meus esboços de todos os começos de um projecto...reparo que tenho um traço muito característico e quase que com toda a certeza do mundo sou capaz de dizer que os meus inícios são muito confusos...da mesma forma que digo com toda a certeza de uma realização pessoal, que todos eles foram tendo um final perto do excelente tanto na avaliação exterior como na minha própria avaliação.
Sou um apaixonado sem resistência e enfio-me de cabeça em todos os projectos que aceito de uma forma que me leva ao desgaste... Sonhei com uma realidade perfeita de debate e tentativa de fazer diferença na evolução de um país e de uma humanidade que anda sombria e apagada de Vida, mas não sei se vou conseguir!
Nunca rasguei nenhum rascunho meu...mas hoje fiz algo que nunca pensei fazer. Queimei grande parte de folhas soltas, penso que foi numa tentativa de fuga ao amarar-me às coisas que tenho. Afinal...estava muito errado quando pensei que poderia fazer a diferença, quando imaginei que ia ser tudo uma evolução de um próprio ser...o meu ser!
Mas este dia é diferente por imensas coisas, porque acordei com aquela expressão que aprendi a usar frequentemente com os meus amigos..."Bom dia com muita alegria" :) bigado, soube bem sabes?.
É verdade que os meus sonhos estão estagnados e quietos em alguns aspectos, porque não tenho tempo nem vida própria.
Mas vou ter...vou ter.
Até lá aguardo com calma e lutando para não me deixar cair de mim próprio, afinal sou um ser que gosta de sorrir e não de ar triste ou magoado com o tempo...ou Vida...mas vou sorrindo com pessoas que me amam e lutam por mim.
A todos estes que sabem que o fazem deixo-vos este sopro de Vida com um ar a frescura e mudança, ok.
Beijossssssssssssss e Abraçosssssssssss para todos ;)
Ao teu redor são imensas as correntes que te prendem e que te fazem desenhar um círculo no chão com as passagens constantes no mesmo limite permitido por cada corrente...
De tantas passagens vais deixando um rasto visível que mostra as tuas fragilidades e fraquezas tontas, feitas de incertezas e marcadas por defeitos que teimas em não corrigir. Quando te dás conta já não sentes a dor da corrente que te prende e... ...ela começa a ser parte de ti mesmo, sem pedir e sem exigir. Apenas porque...pode e tem poder para isso.
São forças estranhas que te prendem e tu não sabes entender a cor de que se pintam esses olhares que te impedem de desprender. Ao teu redor caminham contigo nas ruas enquanto anoitece e estes olhos não brilham com as luzes no escuro...o que te deixa perdido na suspeita e no ardor de um pressentimento que te parece tocar já a pele.
Foges...não sabes a razão, só sentes que o deves fazer. No teu subconsciente existe uma voz que te diz para não olhares para trás e tu...
Tu vais mantendo a força que te resta, toda apontada para essa voz, que parece querer guiar-te no escuro. Ao chegar a sensação de cansaço dos pés que usas para calcar o chão da tua fuga, tu olhas para trás pela primeira vez e o teu olhar mostra-te alguma cor...
O desprender começou e tu já não calcas mais o mesmo caminho e sim algo novo que não conheces...
A força depositada nessa voz que te parece guiar já te soltou um pouco e agora já ñ marcas um trilho igual a tantos outros trilhos conhecidos e deixados para outros seguir...começou algo novo dentro de ti.
Não olhes para trás, não fujas mais de ti e faz as malas que algo de novo já cresce em ti com uma força e com um novo rumo...rumo de busca e com a substância que sempre te alimentou e deu cor ao ser que tu és...
Que tu és.
Frequência de Vida. Mafalda Veiga - Um Pouco de Céu
É...aqui estou eu sem jarros ou potes com tesouros, mas aqui...
A escrever para ti que me lês tantas e tantas vezes sem nunca preparares a tua escrita, sem pensares...sem querer entrar em lado nenhum e entrando em muitos sítios e lugares secretos.
Na verdade são muitas e muitas as vezes que o que escreves para mim...e sabes uma coisa?
...fazes-me bem.
Não sei o que seria se um dia sentisses que podias percorrer outro caminho se não o que pisas neste mesmo momento, mas fico feliz por aceitares o que te é proposto e sem desistires de lutar por mais...
Um dia...como sempre sonhaste...
Vais acordar e reparar que não estás no mesmo sítio de sempre...e então sentirás que mais uma mudança aconteceu na tua vida, no teu ser tímido e simples demais. Com os teus defeitos todos, vais descobrir novas virtudes em ti...porque elas só existem quando encontras mais defeitos no ser que és.
Olha...nunca escrevi para ti...talvez nunca pensei ser necessário e difícil até!
Como outros dizem "...é difícil entrar num mundo com os teus olhos." E como te conheço sei que ficas a pensar nisto e noutras coisas que te vão dizendo no teu caminho de descobertas ténues...
Digo-te que são ténues, porque não és capaz de dizer...chega, vou parar! E agora que te escrevo, vou aproveitar para te dizer que isso irrita-me profundamente algumas vezes...era tão mais fácil se dissesses não! porque é que não o dizes?
Mas claro que não és capaz...preferias desaparecer que dizer não a qualquer coisa...afinal raramente pensas em ti primeiro...
Aproveito para te dizer esta frase que ouvi e não quero que esqueças nunca, porque veio de ti...
"...a vida é a maior beleza e dom que trago oferecida por quem me ama. Adoro viver, amo cada respirar e luto para que ela não pare e cai no mau uso e auto desprezo...morreria nesse dia..."
Digo-te para que nunca esqueças o que dizes aos outros que parece que muitas vezes esqueces isso...a tua descoberta ténue, vai nascendo a cada amanhecer e tu sabes disso, tu sabes disso...
Abraço para ti, desta vez vais sentir na pele o que é dar uma estalada a ti próprio :), espero que ajude e sirva para alguma coisa.
Frequencia de vida para ti que estás a precisar e a conselho de uma amiga ;)
Agora...lá fora onde tudo parece devorar-me. Lá mesmo no fundo onde cresci, onde vivi...onde vivo! Será que me posso perder nesta vida inconstante e partida?
O meu respirar não embacia o vidro do carro que serve de janela para a imagem que observo...lá fora...lá fora...
As luzes tremem com a ondulação macia e ténue de uma frequência de ciclos certos. Tento de novo embaciar o vidro transparente que nada mostra e...continua a não embaciar...estou frio e vazio sem compreender, sem questionar...mas ali estou eu parado aguardando a resposta que já está dada mas continua imperceptível aos meus olhos nus.
Talvez nesta incerteza a vida me leve para longe...onde o calor existe e a felicidade está nos rostos e nas pequenas acções, sem retribuições, sem escolhas, sem, sem...sem...sem!
O mundo que me acompanharia, qual seria?
Onde encontraria...
...histórias perdidas …momentos enquanto anoiteceria...partilhas... …velocidade temporal!
Levaria parte do meu mundo comigo?
Enquanto anoitecesse teria eu a percepção que o que me rodeava era irreal ou real…
Sentir-me-ia só?
Lá fora...estaria eu!
…eu comigo!
E quando sentisse que tudo estava perdido, dir-me-ias que...
…refúgios e pressas que nos cerram os olhos deixando-os cegos ao presente que se vive e perdidos num olhar do passado que retira a percepção do futuro...
Como se uma armadura em forma de muralha fizéssemos crescer em nossa volta, deixamos que os nossos erros e falhas com todos ou com alguém em especial nos prenda de viver e nos isole sem a convivência ou aquela palavra especial que ficou por dizer...
...depois...depois não houve tempo e já não haverá mais na vida, nunca mais!
Agora que tudo cai devagar num piso macio e o fim trás o recomeço…
Fico a pensar no que seria se tudo fosse perfeito, se nada me fizesse fugir...mesmo que algumas vezes de mim próprio...
O meu abrigo faz-me olhar com um avassalador regulador de tudo...o tempo!
Este que insere um ritmo certo e imparável na vida.
Hoje seria tempo, mas...lá fora, bem longe de tudo e de todos...sem levar nada do que dei...
Olharia com aquela sensação que nada se quebrou e que tudo segue uma sequência feita de balanços onde marcamos os nossos próprios compassos...