Dá-me a tua mão...vamos caminhar por entre o luar desta noite, longe das sombras e assim...na noite.
Quase nunca me sinto quando penso em ti e pareço partir deste corpo para uma dimensão onde não conheço o caminho e...não te encontro...
...não te encontro em lugar nenhum e acho que deveria! Na verdade onde tu estarás eu bloqueei-me e bloqueei-te parece-me. Não sei bem o que fazer ou sentir quando me fazem pensar em ti ou falam o teu nome. Apenas doí cá dentro, doí de uma maneira que rompe e trespassa não desfazendo o corpo...mas a paixão de não te ter para abraçar.
Queria encontrar-te e falar contigo por um pouco...assim sentado num campo com folhas no chão...um chão qualquer, mas um chão e o momento. Na incerteza vivo certezas e nessas mesmas certezas vou tocando aventuras e ritmos de loucura na tentativa de me certificar que existo e vou sendo eu, aquele que olhavas, abraçavas e observavas crescer.
Sinto que me acompanhas, mas não percebo essa presença e sem me assustar vou confiando que vou entender um dia alguns sinais. Continuas a permitir-me viver de um jeito muito meu e sim...na verdade como dizias...complicado de ser aceite, louco e muito difícil de acompanhar...um dia vais ter que parar.
Eu sei...tu sempre tinhas um sentido muito atento e correcto nas tuas leituras, um dia vou ter que aceitar que a calma se venha deitar comigo, que a certeza seja...certa. O acordar será o acordar...a serenidade deve partir de mim, assim como o sentir da paixão de viver intensamente moldado de uma forma diferente.
Ninguém poderá nunca ser de ninguém, eu disse-te isso pelo menos uma vez e na verdade não estou errado e tu hoje sabes mais que ontem...que é assim.
Eu queria tocar-te, mas o vidro não deixa...mas vejo-te?
...ainda não sei, sério que não sei e como vês ninguém é de ninguém uma vez mais. Não chega ficar acordado a olhar-te, um dia acabas por partir e deixas de ser de alguém e és de quem eu sempre te disse...do Mundo e de Deus.
Ninguém pode ser nunca de ninguém, mas seremos parte de alguém para todo o sempre...para todo o sempre...
Sabes esta música que deixo para ti...estes acordes e esta letra...a vida pode na verdade ser só 3 dias, mas lutarei para que eles sejam vividos sem igual, um dia vou acalmar como dizias...mas não hoje e não agora. Cada vez que penso em ti custa entender um pouco a vida e na mesma dimensão do não entender eu percebo-a perfeitamente e ganho forças. Estranho? Talvez cruel?
....mas eu quero contar histórias de tempos, voltando a eles ou não, as saudades de momentos que não vou mais encontrar nunca vão deixar de existir e eu aceito isso.
Amo-te e tenho saudades tuas, demasiadas até para um ser humano que é consciente, que entende este processo da vida e que o aceita. Mas sou eu...assim como tu ajudaste a nascer, crescer e hoje por vezes se perde por aí...
Frequência de Vida...
João Pedro Pais & Mafalda Veiga - Ninguém é de Niguém
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